Muitas religiões alegam ter uma origem puramente divina, ou seja, alegam que suas crenças não sofreram alterações terrenas, e que surgiram por iniciativa da divindade, são celestiais. Os maometanos acreditam que o arcanjo Miguel foi quem deu o passo a passo a Maomé para que fundasse o Islã. Os mórmons acreditam que um anjo chamado Moroni indicou ao fundador de sua religião, Joseph Smith, o local onde estariam enterradas placas de ouro transcritas, que continham instruções sagradas. Além disso, Joseph Smith teria recebido uma unção dos apóstolos Pedro, Tiago e João, que teriam descido do céu, para habilitá-lo a fundar a única religião verdadeira na Terra. Incrivelmente ninguém além do próprio Joseph nunca viu as tais placas de ouro, nem o tal anjo Moroni. Como eles, diversos lideres religiosos das mais variadas correntes de fé espalhadas pelo mundo, protestam o título de enviados de Deus.
No começo do Século XX, um desses movimentos divinos ganhou fama nos Estados Unidos, fundado por um pastor, filho de ex-escravizados, chamado William Joseph Seymor, criado como protestante batista, desde pequeno Seymor alegava ter sonhos, visões e premonições. Adulto, passou a estudar teologia da santidade, crença que afirma que após a conversão cristã o individuo deve dedicar-se radicalmente para tornar-se puro, incontaminado de influências mundanas e pecaminosas. Seymor também concentrou seus estudos para entender de maneira cristã as manifestações que tinha desde criança. Essa busca pessoal dele, culminaria no surgimento do movimento pentecostal ou pentecostalismo, que posteriormente ganharia muita força entre pobres, ex-escravizados, latinos, mulheres, imigrantes e outras pessoas marginalizadas de sua época.
Os protestantes tradicionais não consideravam os pentecostais como fazendo parte de sua religião, e nem mesmo os pentecostais se consideravam protestantes, eles se consideravam a renovação da fé cristã. Acreditavam que Deus estava fazendo algo completamente novo por meio deles. No entanto, as práticas do movimento de Seymor eram conhecidas há milênios em outras religiões: exorcismos, adivinhação, premonição, crença no poder e influência dos demônios, línguas sobrenaturais, foram herdadas das crenças africanas. Por essa causa os pentecostais chegaram a ser perseguidos pelos protestantes em muitos lugares, inclusive há relatos de intimidamento armado, contudo a novidade teve forte aceitação popular e aos poucos até os mais conservadores protestantes foram obrigados a admiti-los.
No Brasil credúlo, religioso, supersticioso, o pentecostalismo chegou em 1910, o italiano Luigi Francescon, fundador da Congregação Cristã no Brasil, e os suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg, fundadores da Assembleia de Deus, todos discípulos de Seymor, foram responsáveis por trazer a doutrina para o país. Por aqui o movimento encontrou um terreno fértil e cresceu ligeira e assombrosamente, sob forte aceitação.
Hoje as duas denominação são as maiores igrejas evangélicas brasileiras.

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